Não sou sociólogo, antropólogo ou psicólogo. Mas gosto de observar as coisas, em especial o comportamento humano. E nos dias de greve da polícia militar na Bahia, fiz isso com especial atenção.

Pude ver, por exemplo, que a ausência da polícia nas ruas desperta um tipo de afloramento do "mal".

Pare pra pensar. Que tipo de sociedade é essa que precisa ter a presença coercitiva da polícia para se manter sob controle? Quer dizer que é assim, basta a força policial sumir por alguns dias para o caos se estabelecer?

Que tipo de sociedade é essa, que parece ser naturalmente propensa à violência? É só o "chicote" dos PMs que nos mantém sob controle? Somos feras, então? Feras que precisam de um domador? De um chicote? De vara?

Quer dizer então que não nos garantimos sozinhos? Não seríamos capazes de viver alguns dias sem o julgo da polícia, sob pena de acabarmos com o mundo? Que mal é esse que vem a tona toda vez que a repressão some por uns dias?

É um mal provocado pela exclusão social? Pela pura revolta? Pelo vandalismo? Pelo que, afinal?

Sei que no meio de toda aquela confusão houve a ação de alguns policiais mal intencionados. Mas sei também que muita gente que nem tinha antecedentes criminais aproveitou pra praticar vandalismo. Gente, muitas vezes, que não passa fome, não vive na miséria, tem uma casa pra morar, mas que não pensou duas vezes antes de roubar produtos de uma loja saqueada. O que me faz crer que algumas pessoas só não praticam o mal por pura falta de oportunidade.

Entendo que vivemos num país marcado pela exclusão social. E ela, a exclusão, é responsável por muitas coisas que acontecem por aqui. Mas não entendo como um conhecido meu, formado em administração de empresas, devidamente empregado e "bem de vida", pôde participar de um dos saques que aconteceram durante a greve da polícia. E não só isso, levou o próprio filho, de nove anos de idade, pra saquear também.

Que mal é esse, eu pergunto, que parece vir também de uma pessoa tida como "gente de bem"? De uma pessoa que, em vez de horrorizar-se com as cenas deploráveis que se seguiram, optou por roubar, saquear, destruir? Que mal é esse, meu Deus?

Talvez seja o mesmo mal que faz com que alguns juízes de direito recebam propinas em troca de sentenças encomendadas. Pessoas muito bem de vida, estudadas, formadas, mas que não resistem à chamada do "mal". Ao mal que parecer habitar em cada um de nós.

A palavra de Deus nos diz que já somos gerados em pecado. Por isso, esse estado de maldade é inerente a nossa natureza pecaminosa. É certo que já nascemos com esse ranço dentro de nós, o ranço do mal, da maldade, da perversidade, da destruição. Afinal, "todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rm 3:23) .

O que me faz lembrar o que está registrado na passagem bíblica de Genesis 4:7, quando Deus percebe que Caim quer matar a seu irmão Abel e lhe diz: "O mal bate a sua porta. Cabe a você domina-lo".

Caim não dominou o mal, e acabou matando Abel. Do jeito que as coisas vão indo, a humanidade tem se parecido muito mais com Caim do que com Abel. E se algo não for feito, isto é, se não nos voltarmos para Deus enquanto ainda é tempo, nossos filhos e netos continuarão tendo a cara horrorosa de Caim.

Que Deus nos ajude.